"Em certas alturas somos verdadeiramente levados a acreditar que toda esta vida não é uma exaltação dos sentidos, de uma miragem, de um equívoco da imaginação, mas sim de algo real, autêntico, existente!".
(Dostoiévski, Noites Brancas)

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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Amor, mãos e liberdade




Eu não te amava quando disse pela primeira vez “eu te amo”, nem pela segunda ou terceira. Passei algum tempo para entender o real significado dessa frase. Às vezes me pegava te olhando, concentrada principalmente em tuas mãos. As unhas limpas e a pele fina faziam meus lábios queimarem. Adorava quando tuas digitais me tocavam com firmeza, mas achava estranho quando tentavas preencher um espaço que esteve por muito tempo vazio.

        Com tantas mãos a serem abraçadas pelas tuas, por que as minhas tão frias e inexperientes? Poucos dedos se entrelaçaram aos meus, tu bem sabes. Para ser sincera, isso de segurar mãos sempre me incomodou. Lembro quando os adultos apertavam minhas falanges para que eu atravessasse a rua com segurança. Liberdade era o que eu mais desejava nessas horas! Queria correr o risco, entende? Os jovens são corajosos e precisam conhecer os caminhos da vida para que se defendam das futuras desgraças. Mas um dia crescemos e procuramos em outros a proteção que antes nos era ofertada por nossos pais. Ficamos cautelosos com o passar das estações.

        Todas as responsabilidades conquistadas por minha rebeldia me tornaram uma pessoa temerosa, sensível e insegura. Desde que tomei consciência da fraqueza que eu costumava não reconhecer e do quanto todos nós estamos vulneráveis às desventuras da existência, te amei. Tua proteção, teu aconchego, as palavras de consolo, as atitudes admiráveis, teu modo de levar a vida, tudo que eu precisava em mim residia em outra pessoa. Entreguei minha liberdade em tuas mãos e em troca pedi cada segundo do teu tempo. Abri mão do escudo frio que me resguardava e da racionalidade que não me deixava tirar os pés do chão. Por medo, me entreguei ao amor.

        Percebo hoje que te roubei aquilo que mais apreciava. Tirei a tua liberdade e compreendi que da minha tu nunca fizeste questão. Prendi teu carpo e metacarpo aos meus para que não pudesses dar um passo para frente ou para trás sem que eu estivesse lá. Esqueci que o vazio de uma mão é agradável quando esta se sente sufocada por outra. Seus poros e digitais desejam desesperadamente o ar. E é assim também com a boca, com os seios, a cabeça e os pés.

        Lembrei dos momentos em que meus pais resolviam me libertar de suas algemas por alguns instantes; era com prazer que eu retornava. E assim sucederá contigo também. Tenhas calma, espera só mais um pouco... Meus dedos estão enfraquecendo, sinto incomodar os calos e o sangue que escorre da tua palma faz deslizar a minha.

11 comentários:

  1. Bem, a despeito do seu comentário de que o texto não está um dos melhores, eu adorei!
    Lindo! E como sempre, eu adoro as metáforas que você usa.São geniais.

    Sou sua fã coisa branca! xD
    Love you! (L)

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  2. Tava com saudades de tudo isso.

    Lindo, mas não me fez ter boas sensações.
    Me senti mais vazia do que nunca.

    Beijo.

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  3. Também sou sua fã Cecil! =D

    Kaka, que bom que meu texto te causou alguma sensação. Parece inescrupuloso, mas a maioria das pessoas que lidam com algum tipo de arte quer fazer sentir, sejam sentimentos bons ou ruins. Acho que consegui alcançar meu objetivo com esse texto, e, para mim, isso é bom. =x

    Beijos gatas!

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  4. Vc acabou de ganhar um novo fã que vai sempre ler seus posts :D
    Parabéns pelo texto, muito bom, não imaginava que vc fosse boa de blog tbm kkkkk

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  5. Que bom! É sempre maravilhoso ter novos seguidores! "Boa de blog" kkkkkkkkkkkkk Gosti xD

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  6. kkkkkkkkkkkkk Cecil, Elayne e Karol. Minhas 3 amigas blogueiras. :D

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  7. Sei exatamente isso, por isso disse que senti, gata! ahauahauha³

    Bjos

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  8. Interessante sua abordagem, mas as mãos foram feitas em par

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  9. Anônimo, isso é verdade, mas vc pode observar que elas foram feitas uma em cada lado do corpo, cada qual no seu braço. rsss

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  10. Aaai, que inveja literária da sua capacidade de criar metáforas!

    "Esqueci que o vazio de uma mão é agradável quando esta se sente sufocada por outra. Seus poros e digitais desejam desesperadamente o ar".

    Eu senti alguma coisa familiar com o texto, mesmo que não saiba explicar. Adorei seu retorno (mesmo tardio).

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  11. Cara Ludmila, EU que tenho inveja de vc! Uma inveja boa, pq me inspira a melhorar sempre que passo pelo AmorTeceDor (http://amor-tecedor.blogspot.com/).

    Obrigada pela visita e pelo comentário empolgante. ^^

    Beijos aniversariante do dia! xD

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