Eu
não te amava quando disse pela primeira vez “eu te amo”, nem pela segunda ou
terceira. Passei algum tempo para entender o real significado dessa frase. Às
vezes me pegava te olhando, concentrada principalmente em tuas mãos. As unhas
limpas e a pele fina faziam meus lábios queimarem. Adorava quando tuas digitais
me tocavam com firmeza, mas achava estranho quando tentavas preencher um espaço
que esteve por muito tempo vazio.
Com tantas mãos a serem abraçadas pelas tuas, por que as
minhas tão frias e inexperientes? Poucos dedos se entrelaçaram aos meus, tu bem
sabes. Para ser sincera, isso de segurar mãos sempre me incomodou. Lembro
quando os adultos apertavam minhas falanges para que eu atravessasse a rua com
segurança. Liberdade era o que eu mais desejava nessas horas! Queria correr o
risco, entende? Os jovens são corajosos e precisam conhecer os caminhos da vida
para que se defendam das futuras desgraças. Mas um dia crescemos e procuramos
em outros a proteção que antes nos era ofertada por nossos pais. Ficamos
cautelosos com o passar das estações.
Todas as responsabilidades conquistadas por minha rebeldia
me tornaram uma pessoa temerosa, sensível e insegura. Desde que tomei
consciência da fraqueza que eu costumava não reconhecer e do quanto todos nós
estamos vulneráveis às desventuras da existência, te amei. Tua proteção, teu
aconchego, as palavras de consolo, as atitudes admiráveis, teu modo de levar a
vida, tudo que eu precisava em mim residia em outra pessoa. Entreguei minha
liberdade em tuas mãos e em troca pedi cada segundo do teu tempo. Abri mão do
escudo frio que me resguardava e da racionalidade que não me deixava tirar os
pés do chão. Por medo, me entreguei ao amor.
Percebo hoje que te roubei aquilo que mais apreciava.
Tirei a tua liberdade e compreendi que da minha tu nunca fizeste questão.
Prendi teu carpo e metacarpo aos meus para que não pudesses dar um passo para
frente ou para trás sem que eu estivesse lá. Esqueci que o vazio de uma mão é
agradável quando esta se sente sufocada por outra. Seus poros e digitais
desejam desesperadamente o ar. E é assim também com a boca, com os seios, a
cabeça e os pés.
Lembrei dos momentos em que meus pais resolviam me
libertar de suas algemas por alguns instantes; era com prazer que eu retornava.
E assim sucederá contigo também. Tenhas calma, espera só mais um pouco... Meus
dedos estão enfraquecendo, sinto incomodar os calos e o sangue que escorre da
tua palma faz deslizar a minha.

Bem, a despeito do seu comentário de que o texto não está um dos melhores, eu adorei!
ResponderExcluirLindo! E como sempre, eu adoro as metáforas que você usa.São geniais.
Sou sua fã coisa branca! xD
Love you! (L)
Tava com saudades de tudo isso.
ResponderExcluirLindo, mas não me fez ter boas sensações.
Me senti mais vazia do que nunca.
Beijo.
Também sou sua fã Cecil! =D
ResponderExcluirKaka, que bom que meu texto te causou alguma sensação. Parece inescrupuloso, mas a maioria das pessoas que lidam com algum tipo de arte quer fazer sentir, sejam sentimentos bons ou ruins. Acho que consegui alcançar meu objetivo com esse texto, e, para mim, isso é bom. =x
Beijos gatas!
Vc acabou de ganhar um novo fã que vai sempre ler seus posts :D
ResponderExcluirParabéns pelo texto, muito bom, não imaginava que vc fosse boa de blog tbm kkkkk
Que bom! É sempre maravilhoso ter novos seguidores! "Boa de blog" kkkkkkkkkkkkk Gosti xD
ResponderExcluirkkkkkkkkkkkkk Cecil, Elayne e Karol. Minhas 3 amigas blogueiras. :D
ResponderExcluirSei exatamente isso, por isso disse que senti, gata! ahauahauha³
ResponderExcluirBjos
Interessante sua abordagem, mas as mãos foram feitas em par
ResponderExcluirAnônimo, isso é verdade, mas vc pode observar que elas foram feitas uma em cada lado do corpo, cada qual no seu braço. rsss
ResponderExcluirAaai, que inveja literária da sua capacidade de criar metáforas!
ResponderExcluir"Esqueci que o vazio de uma mão é agradável quando esta se sente sufocada por outra. Seus poros e digitais desejam desesperadamente o ar".
Eu senti alguma coisa familiar com o texto, mesmo que não saiba explicar. Adorei seu retorno (mesmo tardio).
Cara Ludmila, EU que tenho inveja de vc! Uma inveja boa, pq me inspira a melhorar sempre que passo pelo AmorTeceDor (http://amor-tecedor.blogspot.com/).
ResponderExcluirObrigada pela visita e pelo comentário empolgante. ^^
Beijos aniversariante do dia! xD