Hoje eu vou falar de
mim. Não costumo fazer esse tipo de coisa. Mas hoje eu quero falar de mim!
Crise de amor-próprio? Revolta egocêntrica? Individualismo? O mal do século me
atingiu? Bom, talvez, mas hoje eu preciso falar de mim... Eu devo, eu quero, eu
posso e vou falar de mim!
Sempre
que paro pra refletir sobre o que sou, penso primeiro sobre o que é ‘ser’. Daí
já sabe... Acabo me entregando a uma filosofia muito louca (redundância, eu
sei) que envolve existência, vida e amor. Talvez alguns de vocês já tenham
realizado o mesmo raciocínio que eu. Outros podem até desconsiderá-lo como tal.
Vou tentar descomplicar algumas ideias e deixarei outras nas entrelinhas. Jogarei
algumas perguntas. Tentarei manter as palavras conectadas. Só.
Mas,
o que eu sou?
Para
a biologia eu sou orgânica, células ósseas, musculares, adiposas, sanguíneas,
nervosas. Para a sociologia eu sou um ser social. Para a história eu sou hoje
por causa de ontem e para a literatura eu sou conterrânea de Graciliano Ramos.
Para a geografia eu faço parte de um quadro populacional, habito
determinada área de temperatura tal e resido em uma cidade litorânea. Para a
matemática, eu sou um problema.
Sobre
a verdade dessas ciências ou das várias religiões: eu hesito sobre muitas, me
interrogo sobre tantas e não acredito em boa parte! Gosto daquilo que questiona
e duvido de tudo que impõe a verdade.
Verdade
é conformidade com a realidade? Realidade é o que existe efetivamente? Existir
é durar, subsistir, manter-se vivo, vigorar? Estar vivo é habitar,
experimentar, conviver, dedicar-se, sentir a fundo? Não sei! Viver para mim é
inexplicável. Eu não sei ilustrar a vida, não sei desenhá-la ou redigi-la. Sei
que vivo, que sinto, que sou.
“Penso,
logo existo”. Sim, eu penso. Existir? Talvez, em alguns lugares, em
determinadas pessoas, em certas palavras, ou em quaisquer lembranças.
Sim,
mas quem eu sou?
Sem
querer fazer apologia àquela canção, mas posso dizer que eu sou a tinta que dá
corpo às minhas palavras, sou a morte que me comove, as lágrimas que derramo e
o sorriso que dou. Sou aquele que me ama e, antes de tudo, sou aquele e aquilo
que amo. Sou também os que não amo, mas que adoram aos que me tem amor. Sou meu
deus e meu diabo, meu bem e meu mal. Sou minha fé e a falta dela. Sou meu livro
favorito, a canção que me faz arrepiar os pelos dos braços e o filme que me faz
chorar de tanto rir. Sou você que lê minhas palavras.
Mas
para aqueles que amo, quem eu sou? Sim, para aqueles que eu amo! No começo, no
meio e no fim, é o que importa. Espero ser para eles o que eles são para mim: a
própria vida.




